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Financiamento imobiliário em 2026: guia completo para comprar seu primeiro imóvel

Como funciona o financiamento imobiliário na prática: entrada, análise de crédito, SAC ou Price, FGTS, custos escondidos e os erros mais comuns de quem compra o primeiro imóvel.

· Leitura de 6 min
Casal analisa contrato de financiamento imobiliário na mesa da cozinha, com calculadora e maquete de casa
Casal analisa contrato de financiamento imobiliário na mesa da cozinha, com calculadora e maquete de casa

Poucas decisões financeiras pesam tanto quanto assinar um financiamento imobiliário. É um compromisso que costuma durar 20, 30, às vezes 35 anos — e, ainda assim, muita gente chega à assinatura sabendo menos sobre o contrato do que sabe sobre o próprio celular. Este guia existe para virar esse jogo: ao final, você vai entender como o financiamento funciona de verdade, quais escolhas estão nas suas mãos e onde moram os erros mais caros.

Como funciona um financiamento imobiliário, em uma frase

O banco paga o imóvel para o vendedor hoje, o imóvel fica alienado ao banco como garantia, e você devolve o valor em parcelas mensais com juros ao longo do prazo. Se as parcelas deixarem de ser pagas, o banco pode retomar o imóvel — é por isso que os juros do crédito imobiliário são menores que os de qualquer outro empréstimo para pessoa física: a garantia é forte.

A entrada: por que 20% é o número mágico

Como regra geral, os bancos financiam até 80% do valor do imóvel — os outros 20% são a entrada, paga com recursos próprios. Alguns programas e perfis conseguem percentuais maiores, mas planejar-se com 20% de entrada é o cenário realista.

Dois pontos que pegam muita gente de surpresa:

  • A entrada não é o único dinheiro à vista. ITBI, escritura e registro somam, em geral, algo entre 4% e 5% do valor do imóvel, pagos do próprio bolso, fora do financiamento.
  • Entrada maior é o "investimento" mais garantido que existe. Cada real a mais de entrada é um real a menos rendendo juros contra você por décadas. Antes de financiar o máximo permitido, vale fazer a conta inversa.

Análise de crédito: o que o banco olha

O banco avalia basicamente três coisas:

  1. Renda comprovada — a parcela, somada a outras dívidas, normalmente não pode ultrapassar 30% da renda familiar bruta. Renda de cônjuge e até de familiares pode ser somada (composição de renda).
  2. Histórico — score de crédito, relacionamento bancário, restrições no nome.
  3. O imóvel — o banco faz avaliação própria; se o valor avaliado for menor que o preço combinado, a diferença sai do seu bolso.

Dica prática: faça simulações em mais de um banco. As taxas variam entre instituições e até para o mesmo cliente em momentos diferentes, e a portabilidade de crédito existe justamente porque essa concorrência é real. O banco onde você recebe salário nem sempre oferece a melhor condição — mas costuma negociar quando você mostra proposta do concorrente.

SAC ou Price: a escolha que muda dezenas de milhares de reais

Os dois sistemas de amortização dominam o mercado brasileiro:

SAC Price
Parcela inicial Maior Menor
Comportamento Parcelas caem ao longo do tempo Parcelas fixas (com correção)
Juros totais pagos Menores Maiores
Para quem faz sentido Quem aguenta parcela inicial maior Quem precisa caber no orçamento agora

Em resumo: no SAC, você amortiza mais dívida desde o início e paga menos juros no total. No Price, a parcela inicial menor ajuda a aprovação a caber na renda, mas o custo total é maior. Se a parcela do SAC cabe no seu orçamento, ele costuma ser a escolha racional — mas faça a simulação nos dois e compare o Custo Efetivo Total (CET), não apenas a taxa de juros anunciada.

FGTS: o empurrão que muita gente esquece

O saldo do FGTS pode ser usado para compor a entrada, amortizar o saldo devedor ou reduzir o valor das parcelas, desde que cumpridas as regras — as principais: mínimo de 3 anos de trabalho sob regime do FGTS, não ter outro financiamento ativo no SFH e não ser proprietário de imóvel residencial na mesma região onde trabalha ou mora. O imóvel também precisa se enquadrar nos limites do Sistema Financeiro de Habitação.

Mesmo depois da compra, o FGTS continua útil: a cada 2 anos é possível usá-lo para amortizar o saldo devedor — uma das formas mais eficientes de encurtar o financiamento.

Programas habitacionais

Se a renda familiar se enquadra nas faixas do Minha Casa, Minha Vida, as condições mudam significativamente: juros menores e subsídios que reduzem o valor financiado. As faixas de renda e os tetos de valor do imóvel são atualizados com frequência — antes de descartar a possibilidade, verifique as regras vigentes no site da Caixa ou com um corretor de confiança.

Os custos que não aparecem na simulação

Documentos da compra de um imóvel sobre a mesa: contrato, escritura pública, certidão de matrícula, calculadora e chaves

Planeje-se para além da parcela:

  • ITBI (imposto municipal de transmissão): em Belo Horizonte, cerca de 3% do valor do imóvel.
  • Escritura e registro em cartório.
  • Taxa de avaliação do imóvel cobrada pelo banco.
  • Seguros obrigatórios (MIP e DFI), já embutidos na parcela — mas compare, pois encarecem o CET.
  • Condomínio e IPTU, que passam a ser seus no dia da entrega das chaves.
  • Mudança, pequenos reparos, móveis — o "estoque de imprevistos" do primeiro ano.

Os 5 erros mais comuns do primeiro financiamento

  1. Comprometer os 30% no limite. A vida muda em 30 anos. Deixe folga.
  2. Olhar só a taxa de juros e ignorar o CET. Seguro e tarifas mudam o custo real.
  3. Não simular em vários bancos. Meio ponto percentual de diferença vira dezenas de milhares de reais no prazo total.
  4. Esquecer os custos de cartório e ITBI. São 4–5% à vista que derrubam o planejamento de quem contava só com a entrada.
  5. Ter pressa. Imóvel não é compra de impulso; uma semana a mais de pesquisa pode valer anos de parcela mais leve.

Perguntas frequentes

Posso financiar 100% do imóvel? Em regra, não — o teto usual é 80% pelo SAC (às vezes menos pelo Price). O restante é entrada.

Autônomo consegue financiar? Sim. A comprovação de renda é mais trabalhosa (extratos, declaração de IR, decore), mas é rotina nos bancos.

Vale a pena quitar o financiamento antes? Amortizações extras, especialmente no início do contrato, reduzem drasticamente os juros totais. Priorize amortizar "no prazo" (reduzindo o número de parcelas) em vez de reduzir o valor da parcela.

Financiamento na planta funciona igual? Não. Durante a obra você paga a construtora (com correção pelo INCC) e o financiamento bancário só entra na entrega das chaves — um artigo específico sobre isso está a caminho.


As condições de crédito citadas são as praticadas de forma geral pelo mercado e podem variar conforme o banco, o programa habitacional e o momento econômico. Confirme sempre os números vigentes antes de decidir.

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